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OUTUBRO DE 2010
Para este bimestre, a Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura preparou uma homenagem aos chamados “poetas malditos”, autores
que entraram para a história da literatura por seus temas polêmicos e seus
trabalhos marcados pelo sombrio e pelo inusitado. Confira!
EVENTOS ESPECIAIS
OURO PRETO NA CASA DAS ROSAS
Sábado, 2 de outubro, 10h30.
10h30 às 11h20: Lançamento do Suplemento Literário Biografias – Edição especial do Fórum das Letras de Ouro Preto e conversa entre Paulo Markun e Humberto Werneck, com o tema: “Quais os limites entre a biografia, a ficção e a história?”.
Mediação: João Gabriel de Lima.
11h20 às 12h45: Recital de poemas sobre Ouro Preto, com Fernanda de Almeida Prado, Frederico Barbosa e Guiomar de Grammont; participação do músico Lula Barbosa. O recital marca a abertura das comemorações dos 300 anos de Ouro Preto.
GABRIEL GOLDMAN E QUINTETO
Domingo, 17 de outubro, 17h.
Pianista, compositor, maestro e clarinetista, Gabriel Goldman se apresenta, com seu quinteto, tocando uma seleção de músicas de sua autoria, compostas entre 1997 e 2010.
PROJETO REVISTA CULTURAL
Sexta-feira, 29 de outubro, 20h.
Com Os Babilaques.
A banda “Os Babilaques” homenageará os marginais da palavra com música, teatro e poesia. Evento com participação do público.
II FÓRUM LATINO-AMERICANO DE FOTOGRAFIA DE SÃO PAULO
Quarta e quinta-feira, 20 e 21 de outubro, 9h30 às 17h.
Em parceria com o Itaú Cultural, a Casa das Rosas recebe workshops da segunda edição do Fórum, coordenado, neste ano, por Iatã Cannabrava. Mais informações em: http://www.itaucultural.org.br/.
- “A fotografia como sentido”, com Luis González Palma.
- “Por uma fotografia sem qualidade”, com Joan Fontcuberta.
- “A curadoria como (in)disciplina”, com Juan Antonio Molina.
- “Fotografia como projeto cultural”, com Claudi Carreras.
- “Novas ferramentas para a discussão de um ensaio fotográfico”, com Roberto Huarcaya.
- “Fazendo um livro de fotografia”, com Alec Soth.
RECITAIS DE MÚSICA DE CÂMARA DA USP
Sexta-feira, 8 de outubro, 12h30.
Promovido pelo Departamento de Música da ECA e pelo Laboratório de Música de Câmara, o recital acontece mensalmente na Casa das Rosas.
8 de outubro: Conjunto de Música Antiga da ECA-USP.
MANSÃO MACABRA
Saci na Casa: sábado, 30 de outubro, 14h às 17h.
Halloween adulto: sábado 30 de outubro, 20h às 6h.
Oportunidade para que os visitantes se familiarizem com poetas e escritores cujos trabalhos tornaram-se associados ao macabro, ao obscuro, ao soturno.
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EXPOSIÇÕES
“HANGUL, MAIS QUE UM ALFABETO” – 4ª EDIÇÃO
Organização: Grupo de Estudos Coreanos – USP.
1º a 24 de outubro.
Exposição multimídia sobre o Hangul, o código de escrita mais científico e original do mundo, na opinião dos linguistas.
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PALESTRAS
QUE PAÍS É ESTE? HISTÓRIA E POESIA
Com Affonso Romano de Sant’Anna.
Quinta-feira, 7 de outubro, 19h30.
Palestra e lançamento do livro homônimo abordam o diálogo da poesia com a história nacional.
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CURSOS BIMESTRAIS
30 vagas.
Inscrições na recepção da Casa das Rosas, de terça-feira a domingo, das 10h às 18h.
Documentação necessária: uma foto 3×4; xerox do RG; xerox do comprovante de residência.
Com entrega de certificado (mínimo de 70% de frequência). Taxa: R$ 10,00.
A ARTE DO JAZZ
Com Gil Duarte.
Quartas-feiras, 6, 13, 20 e 27 de outubro, 19h30 às 21h30.
O curso trata o jazz de suas origens à contemporaneidade.
UM POEMA. UM CLIPOEMA
Com Cristina Fonseca.
Terças-feiras, 5, 19 e 26 de outubro; 9, 16, 23 e 30 de novembro, 19h às 22h.
Curso intensivo para roteiro, com ênfase nas relações entre música, poesia e videoclipes.
VANGUARDAS POÉTICAS
Com Ian Drummond.
Sextas-feiras, 1, 8, 15, 22 e 29 de outubro; 12, 19 e 26 de novembro, 19h30 às 21h30.
Introdução às vanguardas heroicas, com ênfase no cinema, na literatura e nas artes plásticas.
POETAS MALDITOS
Com Claudio Willer.
Terças-feiras, 5, 19 e 26 de outubro; 9, 16 e 23 de novembro, 19h30 às 21h30.
A trajetória dos poetas malditos em suas origens históricas e nas literaturas: brasileira – do século XIX aos contemporâneos; e portuguesa – da geração de Orfeu aos nossos dias.
SUBSOLO DAS MEMÓRIAS: UMA ANÁLISE SUBTERRÂNEA DE MEMÓRIAS DO SUBSOLO, DE FIÓDOR DOSTOIÉVSKI
Com Flavio Vassoler do Canto.
Sextas-feiras, 1, 8, 15, 22 e 29 de outubro; 12, 19 e 26 de novembro, 19h30 às 21h30.
Análise do livro Memórias do subsolo a partir da ótica do personagem principal.
PA NO PB: PALAVRAS AFRICANAS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Com André Paula Bueno.
Sábados, 2, 9 e 16 de outubro, 10h às 13h.
Viagem de repertórios e o contínuo afro-brasileiro da língua portuguesa.
NOEL ROSA: A POÉTICA DO SAMBA
Com Mayra Pinto.
Sábados, 2, 9, 16 e 23 de outubro, 17h às 19h.
Abordagem de aspectos marcantes da poética de Noel Rosa, como o humor e o tom coloquial, que atravessam parte de sua produção.
O RPG E OS POETAS MALDITOS
Com Daniel Cenoz.
Domingos, 3, 10, 17 e 24 de outubro; 14, 21 e 28 de novembro, 14h às 17h.
A dimensão didática do RPG (role playing game) na construção de uma relação interativa com a história dos “poetas malditos”.
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MESA-REDONDA
MASSAO OHNO, EDITOR DE POETAS
Com Marcelo Tápia e Giselda Lerner.
Mediação: Frederico Barbosa.
Quinta-feira, 14 de outubro, 19h30.
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ESPETÁCULOS
OS OUTROS JUSTOS
Sábados, às 21h, e domingos, às 19h, 2, 3, 9, 10, 17, 23 e 24 de outubro.
Texto e encenação: Celso Cruz.
Atuação: Carlos Rahal.
Produção: Celso Cruz e Carlos Rahal.
Em uma sala de aula imaginária, um velho professor tenta ministrar sua última aula em memória de seu melhor amigo, um intelectual que faleceu durante os anos do nazismo.
POETA EM CENA – NOITE NA TAVERNA
Sábado, 30 de outubro, 20h.
Domingo, 31 de outubro, 19h.
Leitura teatral dos contos macabros de Álvares de Azevedo, com fragmentos do drama Macário.
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SARAUS
SARAU DA CASA
Sábado, 16 de outubro, 20h.
A cada encontro, o Sarau da Casa recebe dois poetas contemporâneos, que são entrevistados pelos apresentadores e fazem leituras de seus poemas. Sarau aberto à participação do público.
Inscrições na recepção da Casa das Rosas, durante o evento.
16 de outubro
Convidados: Reynaldo Damazio e Andrea Catrópa.
Música: gatoNegro Duo.
Reynaldo Damazio é formado em Sociologia e trabalha como editor e crítico literário. É autor dos livros Nu entre nuvens (2001) e Horas perplexas (2008).
Andréa Catrópa foi uma das organizadoras da Antologia Vacamarela (2007). Integra as coletâneas Antologia da poesia brasileira do início do terceiro milênio (2008) e 8 femmes (2007). Publicou o livro de poemas Mergulho às avessas (2008).
gatoNegro Duo é formado por Natalia Mallo e Ramiro Murillo, e propõe um olhar contemporâneo para o tango.
POETAS DA CASA DAS ROSAS
Curadoria: Maria Alice Vasconcelos.
Domingo, 31 de outubro, 17h às 19h.
Sarau mensal que conta com a participação de alunos e ex-alunos dos cursos da Casa das Rosas.
31 de outubro
Tema: “Poetas malditos brasileiros”.
Convidado: Marcelo Tápia.
Música: Trio Júlio de Ló.
SARAU CHAMA POÉTICA
Direção: Fernanda de Almeida Prado.
Domingo, 10 de outubro, 17h.
10 de outubro
Com Alex Dias e Fernanda de Almeida Prado.
Apresentação instrumental: Carlinhos Antunes e convidado.
O Chama Poética apresenta textos de poetas malditos lidos por Alex Dias e Fernanda de Almeida Prado.
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BIBLIOTECA CIRCULANTE
A Biblioteca Circulante, especializada em literatura e poesia, é um local de livre acesso no qual os leitores inscritos podem retirar até dois livros por vez, com direito à renovação, desde que não haja reserva ou dano ao material emprestado.
Cadastro de usuários
Documentos necessários: documento de identidade (cópia e original); comprovante de residência (cópia e original); uma foto 3×4. Matriculados nos cursos oferecidos pela Casa das Rosas estão automaticamente cadastrados na Biblioteca Circulante.
Horário de funcionamento: de terça a sexta-feira, 10h às 21h; sábados e domingos, 10h às 18h.
EXPOSIÇÃO PERMANENTE
Visite a exposição dos móveis e objetos que compunham o escritório do poeta Haroldo de Campos e assista à exibição do documentário Galáxia Haroldo (2003).
EXPOSIÇÃO DA BIBLIOCASA
POETAS MALDITOS: A “MUSA PRAGUEJADORA” DE GREGÓRIO DE MATOS
De sexta-feira, 1º de outubro, a domingo, 19 de dezembro.
Seleção de publicações de e sobre Gregório de Matos, pertencentes ao Acervo Haroldo de Campos, revela o interesse permanente de Haroldo pela obra do poeta baiano.
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ACERVO HAROLDO DE CAMPOS
Formado por aproximadamente 20 mil volumes, o Acervo Haroldo de Campos reúne o material que pertenceu à biblioteca do poeta. Sua base de dados está disponível no site da Casa das Rosas e as publicações podem ser consultadas no local, com agendamento prévio, de terça-feira a sábado, das 10h às 18h.
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AÇÃO EDUCATIVA
VISITAS MEDIADAS
Agendadas
Mínimo de 10 pessoas.
Terça a sexta-feira, 10h às 12h e 14h às 16h.
Mais informações na recepção da Casa das Rosas, pelo tel.: (11) 3285.6986 ou pelo e-mail: educativo.cr@poiesis.org.br
INFANTIL
Contação de histórias
Domingos, 3, 10, 17, 24, 31 de outubro, 15h às 16h.
3 de outubro: “O gigante egoísta”, com Prana Teatro de Animação.
10 de outubro: “O rouxinol”, com Prana Teatro de Animação.
17 de outubro: “Contos desenhados”, com Parampará.
24 de outubro: “Peter Pan”, com Epifania D’Artes.
31 de outubro: “Histórias de assombrar”, com Parampará.
O mundo me encanta*
Terça-feira, 12 de outubro, a partir das 14h.
A Casa das Rosas apresenta uma programação especial no Dia das Crianças, com brincadeiras, música e muita poesia.
*Evento com programação específica.
SARAU
Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa
Sexta-feira, 22 de outubro, a partir das 20h.
Em comemoração ao Mês do Professor, o sarau é produzido pelo Núcleo de Ação Cultural do CEU Alvarenga e tem como tema a produção da escritora Gertrude Stein.
PROJETO ESCREVIVENDO
Escrevivendo falas de amor… fragmentos de vida
Coordenação: Karen Kipnis e Fabiana Turci.
Sábados, 9, 16, 23 e 30 de outubro; 13 e 27 de novembro, 10h às 13h.
Inspirado no livro 106 falas de amor (e seus cenários), de Cyana Leahy, este módulo discutirá os elementos constitutivos do texto narrativo.
CURSO DE ATUALIZAÇÃO PARA EDUCADORES*
* Evento com programação específica.
CICLO DE PALESTRAS PARA EDUCADORES NA CASA DAS ROSAS
Quintas-feiras, 14, 21 e 28 de outubro e 4 de novembro, 19h às 21h30.
14 de outubro: “Contextos e abordagens”, com Ana Mae Barbosa e Fernanda Cunha.
21 de outubro: “Releituras”, com José Minerini Neto e Ana Amália Barbosa.
28 de outubro: “Mediação”, com Rejane Coutinho.
4 de novembro: “Teoria da recepção”, com Mônica Tavares.
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CASA GUILHERME DE ALMEIDA NA CASA DAS ROSAS
PALESTRA
Série “Cinematógrafos”
CINEMA E LITERATURA EM DISCUSSÃO
Curadoria: Donny Correia.
Sábado, 16 de outubro, 15h às 18h.
A série inspira-se na atividade de Guilherme de Almeida como crítico de cinema (desenvolvida entre as décadas de 1930 e 1940).
16 de outubro
Nesse encontro, será apresentado e discutido o filme O gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene, marco do cinema expressionista alemão.
CURSO
30 vagas. Inscrições na recepção da Casa das Rosas.
OFICINA DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA “MACROGRÁFICA”
Por Luiz Brandão.
Quintas-feiras, 7, 14, 21 e 28 de outubro; 4, 11, 18 e 25 de novembro, 19h30 às 21h30.
Valendo-se das teorias da tradução intersemiótica e da transcriação (de Haroldo de Campos), o curso visa à confecção, pelos alunos, de objetos artísticos a partir de material proveniente de diversas artes.
O livro Arquivos de Criação: arte e curadoria discute o objeto artístico e a curadoria em uma abordagem crítica que privilegia o percurso de construção, chamada de crítica de processo. Trata-se de uma série de ensaios sobre processos de criação, desenvolvidos a partir da documentação (cadernos, esboços etc.) de manifestações artísticas diversas: artes visuais, literatura, cinema e dança. O foco é dado nas especificidades em vários níveis: dos artistas estudados, do curador e do pesquisador. Quantos aos artistas, são apresentados os processos de Paul Klee, Alberto Giaocometti, Regina Silveira, João Carlos Goldberg, Evandro Carlos Jardim, Ignácio de Loyola Brandão, Daniel Senise, Eça de Queiroz, Tomie Ohtake e Luiz Ruffato, entre outros. A produção cinematográfica é discutida a partir dos extras dos DVDs, de alguns cineastas, como Kiko Goifman, Eduardo Coutinho e João Moreira Salles. Esta publicação oferece, também, uma reflexão sobre o processo de construção de curadorias, como a do evento Redes da Criação (Itaú Cultural). As interpretações das singularidades dos processos apresentados se sustentam no conceito de processo de criação como redes em construção. A leitura de Arquivos de Criação apresenta ainda uma reflexão metodológica, expondo o modo como estes estudos foram desenvolvidos. Os ensaios levam à proposta de uma crítica de processo, a partir de um mapeamento final sobre algumas características da arte contemporânea. “a enteléquia/mantê-la/viva… esse fazer que se faz de fazer” (h. de campos)
Por Flávio Ricardo Vassoler, mestrando em Teoria Literária pela Faculdade de Letras da USP Em seu prefácio para Memórias do Subsolo, Boris Schnaiderman cita a epígrafe de George Steiner, autor de Tolstói ou Dostoiévski: “Memórias do Subsolo é provavelmente o mais dostoievskiano dos livros e uma verdadeira suma de toda a sua obra”. Para Boris Schnaiderman, “se Dostoiévski é considerado geralmente como o romancista-filósofo por excelência, Memórias do Subsolo é o escrito em que isto se manifesta de modo particularmente intenso”. Inúmeras e contraditórias têm sido as interpretações pelas galerias subterrâneas: a auto-revelação psicológica de uma personalidade patológica; um grito teológico de desespero diante dos males da natureza humana; uma declaração da suposta adesão de Dostoiévski à filosofia do ‘amoralismo’ e à vontade de poder de Nietzsche; uma afirmação contestadora da revolta da personalidade humana contra todas as tentativas de limitar suas inesgotáveis potencialidades. Segundo o crítico literário Joseph Frank, autor de uma importante série de livros a respeito da vida e obra do escritor russo, “podemos, plausivelmente, secundar todas essas leituras, e muitas mais, se ressaltarmos e colocarmos em primeiro plano determinados aspectos do texto e simplesmente negligenciarmos ou esquecermos outros”. Nesse sentido, nossa análise procurará escavar não apenas as idéias expressas pelo homem do subsolo, mas também a forma subterrânea pela qual o seu conteúdo vem à tona. Ao mesmo tempo em que, no plano da história, as idéias se entrechocam como pontos de vista conflitantes, no subsolo formal, o contraponto ideológico constitui um torvelinho contraditório que movimenta a (incon)seqüência narrativa. Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura nos dias 01, 08, 15, 22 e 29 de outubro e 12, 19 e 26 de novembro (sextas-feiras), das 19h30 às 21h30. Há uma semana está no ar o site cultural e coletivo JAMÉ VU, editado pelo escritor Homero Gomes na plataforma Tumblr: www.jamevu.tumblr.com. Nesse espaço, as narrativas de Fulano de Tal, que estão sob a tutela do editor, serão recuperadas, envoltas no mistério de seu suicídio. Além disso, contribuição de artistas, escritores e leitores serão bem recebidas e prometem ser publicadas com muita frequência.
Na página de abertura do site o tema e o lema do site esclarecem ser o site um espaço para tudo o que for inusitado: “Aqui é onde tudo o que se perde é resgatado. Nesse mundo em que não reconhecemos ninguém, onde nos perdemos e, isolados de nós mesmos, esquecemos identidades, resta apenas nos enfiarmos por caminhos perigosos, espancados e castrados. O que era seu, meu e de todos se esvai rapidamente”, registra a apresentação. O editor convida a todos para que façam parte do Mundo JAMÉ VU, contribuindo com produções pessoais, dentro da linha editorial do site; ou, simplesmente, com textos, fotos, citações, links, vídeos, ilustrações, HQs que possam ser classificados como estranho, inusitado, indignante, que nos coloca em estado de choque, que nos tira o sono, que nos queime os olhos de ódio, que nos arranca a voz de ira. Serviço: O poeta Claudio Daniel realizará oficinas de criação poética em seis bibliotecas públicas municipais de São Paulo, confiram os endereços e horários abaixo:
Setembro: Biblioteca Camila Cerqueira César: às terças-feiras, das 14 às 16h, dias 14, 21, 28/09 e 05/10. Endereço: rua. Waldemar Sanches, 41, Butantã. Biblioteca Nuto Sant’anna: quintas-feiras, das 14 às 16h, dias 09, 16, 23 e 30. Pça. Tenório Aguiar, 32, Santana. Outubro: Biblioteca Prestes Maia: sextas-feiras, das 14 às 16h, dias 08, 15, 22 e 29. Endereço: Av. João Dias, 822, Santo Amaro. Biblioteca Lenyra Fraccaroli: segundas-feiras, das 14 às 16h, dias 04, 18, 25/10 e 08/11. Endereço: Praça. Haroldo Daltro, 451, Vila Manchester. Novembro: Biblioteca Thales Castanho de Andrade: terças-feiras, das 14 às 16h, dias 09, 16, 23 e 30. Endereço: rua Dr. Artur Fajardo, 447, Freguesia. do Ó. Biblioteca Milton Santos: quintas-feiras, das 15 às 17h, dias 04, 11, 18 e 25/11. Endereço: Av. Aricanduva, 5777, Jardim Aricanduva.
GAMBALAIA PROGRAMAÇÃO MÊS DE SETEMBRO Teatro Vinte e cinco histórias. Quatro atores. E o sentimento mais indefinível que existe. O espetáculo propõe dissecar o sentimento mais complexo, contraditório e misterioso do ser humano. 10, 11 – ESTÓRIA DE NINGUÉM (sexta e sábado) às 21hs O espectador que vai assistir ao monólogo “Estória de Ninguém”, encontra um espetáculo onde o ator, com ajuda da platéia, cria de improviso, o texto da encenação. O protagonista recebe do público um nome, uma profissão, um grande objetivo de vida a conquistar. E ainda diz em qual momento da vida de “Ninguém” a “estória” começa. 24 e 25 – HISTÓRIAS PARA LEMBRAR (sexta e sábado) às 21hs – Direção Carlos Lotto Numa contação de historias para adultos uma escritora desmemoriada conversa com o publico entre trechos de historias onde tenta recordar seu passado. O espetaculo é um solo, resultante da pesquisa ainda em desenvolvimento do metodo do roteirista espanhol José Sanches Sinisterra, onde varios fios narrativos e varias formas de interlocutores se entrelaçam construindo um painel de pensamentos difuso e complexo. Resgata ainda narradores como os griôs africanos, os contos do oriente médio e as tradições orais, agora revestidos de forma literaria e poetica. Dança 05, 12, 19 e 26 (domingos) às 19hs – MOVIMENTO PELO MOVIMENTO Música Polivox Terças Autorais – Encontro de Compositores ESPERAMOS VOCÊ!!! Fábio Luca GAMBALAIA Telefone: (11) 4316-1726 . (11) 4316-1726 Neste artigo assinado pela intelectual e ensaísta Maria Rita Kehl, publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo de 21/8, ela critica as medidas de “contingenciamento” da TV Cultura. Principal TV pública do país, após anos de resistência, vem sofrendo sistematicamente a política de “corte de gastos” proposto pelo governo tucano em São Paulo. Um dia a massa há de provar o
biscoito fino que fabrico. (Oswald de Andrade)
Que pena. Cada vez que me decido a escrever uma crônica mais leve nesta coluna (não ouso dizer literária. Bem, já disse), o sentimento do mundo me pega não como a doce melancolia do poeta, mas como um paralelepípedo na testa. Não sou capaz de recusar o debate público. Deve ser um sintoma grave, desses que não têm cura depois de certa idade. Desta vez, a acalorada discussão em torno do projeto de desmanche da TV Cultura me pegou pela cabeça e pelo coração. O economista João Sayad é um homem público respeitável. Conseguiu botar em ordem as finanças da Prefeitura de São Paulo depois da calamitosa gestão Celso Pitta. O ministro Fernando Haddad contou que foi em conversa com ele que surgiu o projeto dos CEUs, oásis de cultura e sociabilidade a quebrar a aridez da vida nos bairros mais pobres da cidade. João Sayad não precisa de prestígio. Já tem. Por isso não entendo o que o levou a assumir a presidência de um empreendimento que ele não conhece, não parece interessado em conhecer e, acima de tudo, evidentemente não gosta. Até o momento não li nem ouvi falar de nenhuma proposta criativa de Sayad para a TV Cultura. Nenhum novo projeto de programa, de modificação na grade, nenhum novo conceito sobre o papel da única tevê pública de canal aberto do Estado mais rico do Brasil. Tudo o que se sabe é que o economista veio para cortar gastos. Demitir ¾ dos funcionários! Impossível imaginar que a Fundação abrigasse 1.400 empregados inúteis. Tal enxugamento da folha de pagamentos visa a exterminar o quê? A própria programação. Tudo leva a crer que Sayad não tinha ideia do que a TV Cultura já fez e ainda faz; em reunião interna demonstrou desconhecer até mesmo um diretor da importância do Fernando Faro, embora não haja sinais de que vá interromper o melhor programa musical do País, que além do mais se tornou um arquivo vivo da memória da música brasileira. Fora isso, terá vindo apenas para encolher os gastos da emissora, com a fúria de um exterminador do futuro? Não haverá argumento que o convença da importância de usar dinheiro público para a experimentação, a invenção e a aposta em programas de qualidade, diferenciados da mesmice das emissoras comerciais? As primeiras notícias falam em venda dos estúdios e dos equipamentos, demissões em massa e redução da TV Cultura a um pequeno e mesquinho balcão de compra de enlatados. Faz tempo que uma decisão política não me causava tristeza tão grande. Sendo a economia de verba sua única proposta, gostaria de saber qual o destino de todo o dinheiro que ele haverá, sem dúvida, de poupar com o encolhimento da Cultura. Que se revejam as contas da emissora para eliminar possíveis desperdícios e inoperâncias, vá lá. Mas por que um Estado rico como o nosso precisa ser tão mesquinho nos gastos com sua TV pública? Uma Secretaria (infelizmente entregue a outro homem que não gosta disso) que pode manter a Osesp para usufruto da elite paulista, que pode construir um luxuoso Teatro da Dança, outro da Ópera, para a mesma elite – não pode manter uma TV experimental para um público, não necessariamente elitista, mas pequeno? O argumento é que ela é irrelevante em termos de Ibope. Então, tá. Quantos milhões de telespectadores são necessários na planilha do atual gestor para justificar a existência de uma emissora que funciona como laboratório de programas ligados à cultura brasileira e internacional, e que conta com um público muitas vezes mais numeroso do que o que cabe na Sala São Paulo? Não escrevo isto para criticar a Osesp. Que floresçam mil Osesps pelo Estado, pelo País. Uma só Osesp é mais progressista do que todas as pontes e viadutos que um governo possa construir. Faço a comparação para mostrar o absurdo de se desmontar, com argumentos de planilha, uma televisão pública que utiliza sua verba para oferecer biscoito fino à massa. Escolho, para terminar, o triste exemplo de um programa que já foi extinto pela atual direção: Manos e Minas. Um corajoso programa de auditório dedicado ao hip hop, levado ao ar ao vivo nos sábados à tarde sob o comando de Rap in Hood, que estreou em CD lá por 2000, cantando: “eu tenho o microfone/ é tudo no meu nome”. Ter acesso ao microfone e falar em nome próprio: na plateia, meninos e meninas de pele escura, “bombeta e moleton”, não se distinguem dos mesmos meninos e meninas que sobem para dar seu recado no palco. Enfim, alguém teve a ousadia de dar visibilidade à atividade musical dos jovens da periferia de São Paulo, acostumados a só existir na mídia quando algum dentre eles comete um crime. Manos e Minas não precisa de argumentos de segurança pública para se justificar. Dar espaço ao rap na televisão é importante por si só. Mas a decisão de acabar com o programa nos faz refletir sobre o modo como a elite paulista concebe a inclusão simbólica da periferia na produção cultural da cidade: não concebe. Daí que a pobreza, aqui, seja um problema exclusivo de segurança pública. A extinção de Manos e Minas lembra, não pelo conteúdo, mas pelo princípio operante, as desastradas políticas de “limpeza” da cracolândia. Quem mais, senão uma TV pública, poderia investir na visibilidade dos artistas da periferia? A série Ondas literárias levou aos ouvintes das rádios Cultura de Amparo e Cultura Brasil um panorama da poesia brasileira contemporânea. Os programas, agora, podem ser ouvidos nos links que se encontram no blogue: http://ondasliterarias.blogspot.com Além de entrevistas com vinte e três poetas (gravadas em 2008), os programas apresentam dicas culturais, leituras e adaptações de poemas em áudio dos entrevistados e também de André Dick, Angélica Freitas, Francisco dos Santos, Lígia Dabul, Philadelpho Menezes, Priscila Figueiredo e Tarso de Melo. PROGRAMA1 CELSO BORGES PROGRAMA2 FABIANO CALIXTO PROGRAMA3 CLAUDIO DANIEL PROGRAMA4 DONIZETE GALVÃO PROGRAMA5 MARCELO MONTENEGRO PROGRAMA6 FABIO WEINTRAUB PROGRAMA7 RICARDO ALEIXO PROGRAMA8 PAULO FERRAZ PROGRAMA9 RONALD POLITO PROGRAMA10 ADEMIR ASSUNÇÃO PROGRAMA11 VIRNA TEIXEIRA PROGRAMA12 ALICE RUIZ PROGRAMA13 RODRIGO GARCIA LOPES PROGRAMA14 ANNITA COSTA MALUFE PROGRAMA 15 HEITOR FERRAZ MELLO PROGRAMA16 CARLITO AZEVEDO PROGRAMA17 ANA RÜSCHE PROGRAMA18 RUY PROENÇA PROGRAMA19 FREDERICO BARBOSA PROGRAMA20 REYNALDO DAMAZIO PROGRAMA21 MARCOS SISCAR PROGRAMA22 RICARDO DOMENECK PROGRAMA23 FÁBIO ARISTIMUNHO VARGAS PROGRAMA24 PIQUE (audioficção) Libertado o homem conhecido como o Bandido da Luz Vermelha, após cumprir trinta dos 351 anos de pena de reclusão a que fora condenado por seus 88 crimes. Chega ao fim uma era. Uma época inteira deita suas influências aos tempos que lhe seguem e que começaria quando Hélio Oiticica criou um estandarte que continha a reprodução de um bandido morto, deitado em cruz, crucificado ao contrário, sobre a inscrição “seja marginal, seja herói”. Uma era que, na verdade, pode ter começado muito antes, ainda no tempo do Brasil colônia, quando populações de gente pobre começaram a subir os morros, que aos nobres da corte não mais interessavam. Uma história que pode ter começado quando alguns artistas de Paris perceberam que mais interessante do que a tradição existente atrás de si era aquela outra, desconhecida, de povos subjugados em terras muito distantes. Mas este tempo, que mistura marginais e arte elevada, cabaré e concerto, cru e cozido, grosso e fino, é, na verdade, uma forma de entrever a história da arte do século XX, que acaba por reensinar a esse século como fazer história. Lucio Agra é natural de Recife, cresceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, e mora, há mais de dez anos, em São Paulo. Graduou-se em letras na UFRJ e concluiu mestrado e doutorado em comunicação e semiótica na PUC-SP, onde até hoje trabalha como professor adjunto do Departamento de Linguagens do Corpo. Com Renato Cohen (1956-2003), foi colaborador artístico e membro da equipe de professores de performance do curso de graduação em comunicação das artes do corpo. Como performer, desenvolveu pesquisa em torno dos trabalhos de Kurt Schwitters (1887-1948), apresentando sua Ursonate entre os anos de 2000 e 2008. Em paralelo, desenvolveu um mix de performance, sound poetry e improviso musical livre com os grupos (demo)lição (Paris, Montevidéu e São Paulo, 2007-2008) e Orquestra Descarrego. Entre inúmeros artigos e ensaios em revistas e sites do Brasil e do exterior, publicou o livro de poemas Selva Bamba (1994) e História da Arte do Século XX – Idéias e Movimentos (2004/2006). Desenvolve atualmente um estudo sobre a performance no contemporâneo.
NA MESMA OCASIÃO HAVERÁ O LANÇAMENTO DO DVD BORDAS, PROGRAMA ELABORADO E APRESENTADO POR JERUSA PIRES FERRREIRA E LUCIO AGRA, PARA A TV PUC, ENTREVISTANDO NOMES COMO CARLOS REICHEMBACH, CHACAL, PASSOCA, ARNALDO ANTUNES, OTÁVIO DONASCI, GUTO LACAZ, ADEMIR ASSUMPÇÃO E EDVALDO SANTANA.
Flash Mob da Bienal de SP será neste sábado Uma mobilização relâmpago foi planejada via Twitter e Facebook para ocorrer durante a 21ª Bienal de São Paulo e é apoiada por diversos sites culturais, inclusive o Cronópios Planejada inteiramente pela internet e com o apoio de diversos sites culturais e literários, a Flash Mob da Bienal mostrará aos visitantes da 21ª Bienal de São Paulo, às 15 horas do dia 14/08, uma ação estática em que modos de leitura serão representados. Os organizadores – os escritores Claudio Parreira, Homero Gomes e Mauro Siqueira – pretendem chamar “a atenção para a importância da leitura e não apenas da compra de livros” em um dos principais eventos do mercado editorial brasileiro. Realizada a partir do corredor H, podendo se espalhar pelos corredores do pavilhão do Anhembi, a Flash Mob da Bienal terá um formato simples e pode ter a participação de qualquer pessoa, mas que necessariamente sejam leitoras – haverá inclusive crianças se mobilizando. Seus organizadores afirmam que os participantes não precisam se preocupar, ninguém vai falar, cantar, nem inventar coreografia. Quem estiver nesse dia, se quiser fazer parte da ação, deve apenas escolher uma posição interessante para ficar imóvel com um livro na mão por alguns minutos. A mobilização terá como partida o sinal único de apito, depois dele os mobbers (pessoas que participarem desse tipo de manifestação pública) deverão pegar um livro e ficar imóveis em posição de leitura – seja sentados no chão, de pé, ajoelhados ou até deitados, “vai da criatividade e da vontade de aparecer de cada um”, orienta Homero Gomes, escritor curitibano e idealizador do evento. O fim da ação se dará por um sinal duplo de apito, depois dele os participantes devem dispersar como se nada houvesse acontecido. Essa mobilização – embora tenha como núcleo inicial o blogue literário O Bule – é essencialmente uma criação coletiva e descentralizada, pois depois de sua primeira divulgação no Twitter e, também, no Facebook, se espalhou viralmente, alcançando dezenas de apoiadores em um movimento centrífugo. Entre os principais apoiadores estão Germina Literatura, Zunái e Cronópios. Por isso, os organizadores acreditam que “a mobilização terá repercussão positiva, abrindo um espaço maior ao debate de ideias em torno da leitura no país”. Características da mobilização Local – pavilhão do Anhembi, com núcleo no corredor H. Data – 14 de agosto. Horário de início – 15 horas (mas os participantes deverão chegar antes disso). Sinal para ação – um toque de apito dado pelos 3 organizadores: Cláudio Parreira, Homero Gomes e Mauro Siqueira. Duração – pelo menos 2 minutos, até o toque duplo dos apitos, que indicará o fim da ação. Ação – após sinal, ficar imóvel em posição de leitura (a escolher). Encerramento – depois do sinal duplo dos apitos, haverá a dispersão dos participantes. Organização – Claudio Parreira, Homero Gomes e Mauro Siqueira. Apoio O Bule [ www.o-bule.blogspot.com ] Substantivo Plural [ www.substantivoplural.com.br ] Zunái [ http://revistazunai.com/blog ] Cronópios [ http://www.cronopios.com.br ] Página Cultural [ http://paginacultural.com.br ] Germina [ www.germinaliteratura.com.br ] Livros e Afins [ http://debolso.livroseafins.com ] O Mundo Circundante [ http://omundocircundante.blogspot.com/ ] Contatos Pelo Twitter: @ClaudioParreira, @sisifodesatento e @maurovss. Pelo Facebook: Claudio Parreira, Homero Gomes, Mauro Siqueira e do blogue O Bule. “Talvez o epitáfio de Fernando Henrique devesse ser ‘Príncipe das Trevas’, uma amarga ironia para quem se queria o autor do renascimento brasileiro e que algum dia foi chamado por Glauber Rocha de ‘príncipe dos sociólogos’”
Tentando formular algumas características do atual momento político brasileiro, repasso alguns textos de Chico de Oliveira, publicados em A era da indeterminação (São Paulo, Boitempo, 2007), precisamente quando ele diz que um dos mais instigantes paradoxos da situação brasileira é que a participação da cidadania na política aumentou extraordinariamente no Brasil nos últimos 50 anos, principalmente pela ampliação do colégio eleitoral e diversificação da “oferta política”. O voto obrigatório contribuiu muito para romper o coronelismo, até em locais secularmente oligárquicos, incluindo-se o exponencial crescimento do associativismo civil. Mas é nessas condições extremamente favoráveis que ocorre a perda da representatividade. Uma vez que temos aqui uma democracia apenas “formal” e não “de fato e de direito”. Segundo Chico, há uma “ação anticomunicativa”, uma falta de formas, sem as quais a política não se faz. Porque existe a chamada “autonomização do mercado” – nada a ver com a autonomia cidadã da tradição liberal, mas o seu contrário. Aqui “autonomização” significa que não há regras mercantis, é o mercado para além de si, um permanente ad hoc, em que não se fixam contratos. Tal processo se fundamenta na financeirização dos Estados nacionais, e é igual à incerteza que se inscreve nos negócios ilícitos do narcotráfico: como as taxas de juros já não dependem do movimento interno de capitais, o movimento financeiro, que se transporta para o Estado e a produção, dança diariamente e somente os especuladores correm o risco. Não há mais parâmetros criados pela experiência: não há mais acumulação de experiências. Daí a financeirização frequentemente redundar em estagnação da produção material e destruição do aparato produtivo – que na periferia tem assumido os tons mais dramáticos. É interessante notar que Chico faz um balanço dos dois mandatos de FHC, sobretudo o último: “Em termos macroeconômicos, o permanente ad hoc requer a violência estatal permanentemente, a ‘exceção permanente’ – que poderia sugerir que o monopólio legal da violência foi reconquistado pelo Estado. Longe disso: a violência permanente também significa que o Estado é ad hoc. A governabilidade é lograda graças ao uso permanente de medidas provisórias e a arquitetura das privatizações requer injeções de recursos públicos em larga escala para sustentar a reprodução do capital, a julgar pelo crescimento exponencial da dívida pública interna e externa e seus pesos no PIB.” “A indústria elétrica privatizada, com o racionamento que se impôs para evitar o apagão geral, deixou de lucrar nos termos previstos na privatização e cobrou do Estado aquilo que a dança-de-são-guido do mercado não pode assegurar: a realização do valor. Os custos do racionamento estão sendo pagos pelos consumidores, que racionaram – helas! – seu consumo de energia elétrica, por meio duma alíquota específica nas contas de luz outorgada por medida provisória do presidente!” “O Congresso leva meses para – com enorme custo e utilização dos recursos políticos do típico presidencialismo imperial brasileiro – votar um orçamento: uma penada do Banco Central, para vender títulos com correção cambial e enfrentar ondas especulativas que se repetem como norma no período, e leva à explosão da dívida pública interna. Talvez o epitáfio do presidente FHC pudesse ser ‘Príncipe das Trevas’, uma amarga ironia para quem se queria o autor do renascimento brasileiro e que algum dia foi chamado por Glauber Rocha de ‘príncipe dos sociólogos’”. Para além da tomada de consciência sobre as desigualdades abissais, nas dobras da crítica ao Estado como “mau gerente”, há a privatização das políticas sociais, a “desuniversalização”, a “filantropização da pobreza”. O aumento do associativismo civil no Brasil, que tem virtualmente capacidade para fornecer as bases para um novo pacto ou contrato social para uma nova hegemonia, com o deslocamento do trabalho e das relações de classes, esvazia essa “sociedade civil” do conflito que estrutura alianças, opções e estratégias. Porque essa “sociedade civil” fica restrita aos arranjos locais e localizados, enquanto as operações da política se tornam “reserva de caça” das grandes empresas e do mercado. E Chico conclui: “E todos os programas dos partidos são parecidíssimos porque todos estão pautados pela herança do desastre do neoliberalismo de FHC, e todos buscam representar o irrepresentável: a burguesia nacional, que já não manda; o capital financeiro, que é o obstáculo para o desenvolvimento e que já se desligou de qualquer representação de classe e cujos interesses promovem a exclusão; a classe trabalhadora, cujos recursos políticos foram terrivelmente danificados no período neoliberal. A educação e a cultura são transformadas em territórios não-conflitivos, esquecendo-se, novamente, Walter Benjamin, pois cultura e barbárie sempre andaram juntas”. E nem precisa ir muito longe, nem muito fundo, é só vocês conferirem aí do lado as colunas do Mirisola, velho de guerra.
* Márcia Denser escreve no Congresso em Foco. INSCRIÇÕES ABERTAS! Dia 3 de agosto é o início da próxima turma do curso de Prática de Criação Literária.
O poeta João Cabral de Melo Neto construiu, ao longo de sua obra, uma poética mineral. São versos, metrificados ou não, que contam muito da vida do Nordeste com seu povo e seus hábitos. A sua linguagem – aqui nomeada “idioma pedra”, alimentada na memória de uma infância vivida em meio às canas e às usinas de açúcar, em Recife, com a seca e a fome dando direção à mão que escreve – traduz um Brasil singular. Alguns de seus poemas como “Morte e Vida Severina”, considerado um Auto de Natal pernambucano, e “O Cão Sem Plumas” ou “O Rio”, empreendem uma viagem na escrita que nos levam a querer ler poesia brasileira, pois o aprendizado se dá com as narrativas de costumes e de geografias várias. Tal empreitada avança com as palavras de pedra, caroço, osso, faca, deserto, entre outras, para identificar na língua um “escrever em nordestino”. O poeta João Cabral apresenta os seus poemas perseguindo uma construção arquitetada. Ele vai colocando os versos “como se fossem tijolos”. “É por isso que posso gastar anos fazendo um poema: porque existe planejamento”, nos diz em entrevista. De acordo com o que vamos encontrando ao longo desse caminho, podemos nos surpreender e verificar que a obra de João Cabral escreve Recife e seus restos, e as inúmeras viagens do poeta pelo mundo, mas, ainda inscreve o nome próprio do poeta na poética que se desdobra na fórmula Cabral/cabra. Solange Rebuzzi, psicanalista, poeta, tradutora e crítica literária, nasceu no Rio de Janeiro. Graduou-se em psicologia, em 1979, e especializou-se em filosofia contemporânea, em 1995. Dedicando-se à pesquisa em literatura brasileira, fez o mestrado pela PUC-RJ, em 2002, e o doutorado, em 2007, pela UFMG. Atualmente, é pós-doutoranda em estudos literários na UFF. Foi fundadora do jornal Poesia Viva. Organizou, entre 2000 e 2005, os encontros literários Café Letrado, em Minas Gerais e Rio de Janeiro e, em 2007 e 2008, no Rio de Janeiro, o Café Letrado – Arte & Poesia, com o apoio da embaixada da França no Brasil. Coordena o Seminário de Literatura e Psicanálise na Escola Letra Freudiana e é colunista do portal de literatura e arte Cronópios. É autora de Pó de Borboleta (2002), Leminski, Guerreiro da Linguagem (2003), Leblon.
Autor de Mar paraguayo, livro escrito em portunhol (mescla do português, do espanhol e do guarani), Cristal, Jardim Zoológico, Meu tio Roseno, a cavalo, A copista de Kafka e Pincel de Kyoto, entre outros títulos, Wilson Bueno recebeu o prêmio da APCA, foi finalista do Portugal Telecom e teve obras publicadas em vários países da América Latina. Editou por oito anos do jornal literário Nicolau, um marco na história do jornalismo cultural brasileiro, o escritor também colaborou no jornal O Estado de S. Paulo, como crítico literário. Na homenagem a Wilson Bueno, com curadoria de Claudio Daniel, serão realizadas leituras de contos, poemas e trechos de romances do escritor paranaense por autores convidados, como Frederico Barbosa, Horácio Costa, Maria Esther Maciel, Rodrigo Garcia Lopes, Alfredo Fressia, André Dick, Micheliny Verunschk, Eduardo Jorge e Virna Teixeira. Leia também uma entrevista que o autor concedeu a Claudio Daniel, clicando aqui.
No projeto Parcerias: a Voz da Poesia, este ano em sua segunda-edição, poetas e compositores parceiros se encontram para um bate-papo de meia hora sobre poesia e música. Em seguida, o compositor ou compositora apresenta seu show dando ênfase em poemas musicados. Serão sete encontros quinzenais, de abril a julho, sempre aos sábados, às 18h30. Idealização e curadoria: Ademir Assunção
19 de junho (18h30) – José Paes de Lira (Lirinha) e Marcelino Freire 3 de julho (18h30) – Alzira E e arrudA 17 de julho (18h30) – Tom Canhoto e Celso de Alencar 31 de julho (18h30) – Reynaldo Bessa e Edson Cruz Local: BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA Avenida Henrique Schaumann, 777 – Fone 3082-5023 Entrada franca
O II Concurso Nacional de Haicai Nenpuku Sato, promovido pelo JORNAL MEMAI selecionou 7 poemas dos mais de 100 concorrentes recebidos. Os vencedores terão seus poemas publicados no JORNAL MEMAI 03 e receberão, como prêmio de incentivo, livros da Estação Liberdade, Companhia das Letras, Annablume e Escrituras. Nesta segunda edição, muitos trabalhos não seguiam o regulamento publicado no Site www.jornalmemai.com.br e foram desclassificados. A organização recomenda que o concorrente leia atentamente as regras publicadas no site. Alguns concorrentes não foram admitidos na seleção desta edição por atraso do Correio. Seus poemas, postados nos dias 30 e 31 de abril , foram recebidos 1 semana depois do envio do envelope para a seleção. Estes trabalhos estão automaticamente classificados para o concurso de agosto.
Manhã de sol – Freada no escuro – Praça do Japão Lembro de meu pai Silêncio na estação Roto e esfarrapado Cor avermelhada
CASA GUILHERME DE ALMEIDA NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA Neste sábado, dia 5, inicia-se o curso:
A versão de canção popular como tradução de poesia cantada Por Carlos Rennó O letrista Carlos Rennó explica seu processo de criação de versões de canções americanas clássicas (standards) para o português, empregado no repertório dos discos Canções, Versões – Cole Porter e George Gershwin e Nego. Será abordada a versão esteticamente criteriosa de canções estrangeiras, em que procedimentos típicos da tradução poética são aplicados no campo da canção popular. Aos sábados, dias 5, 19 e 26 de junho, das 10h30 às 12h30. (No dia 12 de junho, na Casa das Rosas, o ministrante focalizará, excepcionalmente, uma letra composta por ele com base no monólogo de Molly Bloom, do livro Ulisses, de James Joyce, como parte das comemorações do Bloomsday – evento que celebra a obra do escritor irlandês – em São Paulo.) Carlos Rennó é letrista, parceiro de Lenine, João Bosco, Gilberto Gil, Arrigo Barnabé, Pedro Luiz, Rita Lee e outros. Canções com letras suas já foram gravadas por nomes que vão de Tetê Espíndola e Gal Costa a Maria Rita, Roberta Sá e Seu Jorge. É autor de Cole Porter – Canções, Versões (Paulicéia) e organizador de Gilberto Gil – Todas as Letras (Companhia das Letras).
CASA GUILHERME DE ALMEIDA NA CASA DAS ROSAS Curso Épica grega: Homero A partir de uma aula introdutória dedicada à contextualização histórica e literária da Ilíada e da Odisséia, o curso discutirá como cada poema é unificado tematicamente por um mito, concentrando-se na relação deuses-heróis. Para isso, se valerá de diversas traduções da épica para o português, comentando algumas de suas particularidades. Às quintas-feiras, das 19h30 às 21h30. Dias 10, 17 e 24 de junho; 1 de julho. Breno Sebastiani é professor de Língua e Literatura Grega na FFLCH-USP, com mestrado e doutorado em historiografia clássica (Tito Lívio e Políbio) pela mesma universidade. - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - - Casa das Rosas
Flores de cerejeira: breves considerações sobre o haicai no Brasil, de Gustavo Felicíssimo. Luigi Russolo e a arte dos ruídos: uma introdução à música futurista, de Sérgio Medeiros. Cartas de Luanda: O dinheiro nas marcas simbólicas da água, de Abreu Paxe. “Uma poesia solar: aquela que dialoga com o mistério da semente.” Uma conversa com o poeta angolano João Maimona. Galeria: exposição virtual de Francisco Faria. Depoimentos e Debates: É possível mudar o cânone literário? Alguns contos: onze novos narradores, apresentados por Marcelino Freire. Poemas de Wilson Bueno, Horácio Costa, Virna Teixeira, Micheliny Verunschk, Yao Feng, Fernanda Dias. Traduções de Joyce Mansour (Inglaterra), Malcolm de Chazal (Ilhas Maurício), Norma Cole (EUA), Edmond Jabès (Egito), Adonis (Líbano), Shu Wang (Macau), Sohrab Sepehri (Irã). Zunái, Revista de Poesia & Debates: www.revistazunai.com. Preço: Inefável; inconcebível. Onde encontrar: no ciberespaço, essa “Gran Cualquierparte” (Vallejo).
O Londrix 2010 – Festival Literário de Londrina, organizado por Christine Vianna e Marcos Losnak, está com as inscrições abertas para os interessados em integrar a programação da edição de 2010. As propostas de palestras, oficinas, shows, debates, atividades lúdicas, workshops, leituras, lançamentos de livros, contações de histórias, performances, atividades lúdicas, exposições e outras atividades literárias podem ser apresentadas até 30 de junho. Os interessados devem enviar suas propostas através do site do festival: www.festivalliterariodelondrina.com O Londrix 2010, que acontece de 21 a 26 de setembro, reunirá importantes nomes da literatura nacional para discutir e pensar os rumos da literatura feita hoje no Brasil, seus impasses e peculiaridades, em toda a sua diversidade de experiências. O evento contempla, em sua concepção e realização, a literatura adulta e a literatura infantil. Patrocínio: PROMIC Acontece os lançamentos de Mar aberto, do Horácio Costa, e Canto desalojado, do Alfredo Fressia.
Abertas as inscrições para o edital RUMOS ITAÚ CULTURAL LITERATURA 2010-2011. O programa Rumos Literatura 2010-2011, conta com o apoio da Anpoll – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e em Lingüística (http://www.anpoll.org.br/site/) e da ABRALIC – Associação Brasileira de Literatura Comparada (http://www.abralic.org/). Inscrições gratuitas: de 3 de março a 31 de julho de 2010. Público alvo: todas as pessoas interessadas nos temas propostos pelo edital, independente do nível escolar e segmento de atuação profissional. Em sua quarta edição, o programa Rumos Literatura é dirigido aos interessados em desenvolver textos reflexivos sobre literatura e crítica literária brasileira contemporânea. A novidade desta edição é a possibilidade de estrangeiros se inscreverem. O programa busca colaborar no desenvolvimento de potencialidades ao estimular a formação do interessado em literatura na ampliação de sua rede de relacionamentos intelectuais e profissionais e, posteriormente, lançar e divulgar uma publicação com sua produção autoral. O programa está dividido em duas categorias: 1. Produção Literária, para projetos de ensaio que tratem de um tema relativo à produção literária brasileira a partir do início dos anos 1980. Importante: o interessado não precisa escrever o ensaio final, apenas o projeto que será desenvolvido em 2011, conforme consta no edital. . Leia o edital completo, regulamento, prêmios e saiba com se inscrever na página http://www.itaucultural.org.br/rumos/regulamento_literatura.pdf Acompanhe as notícias, entrevistas e comentários sobre o programa Rumos no blog http://rumositaucultural.wordpress.com/. Contamos com a sua inscrição e boa sorte! |
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