ELIZABETH LORENZOTTI
Lady Godiva (John Collier/1897)
É um mundo muito esquisito esse em que vivemos. Em pleno século XXI persiste a censura.
E quando foi que censura teve critério? No Facebook, não se sabe se são os censores contratados em várias partes do mundo, se é um algoritmo, se são “amigos” deduradores ou tudo isso junto.
No Facebook, vi algumas pessoas perguntando: “Que censores são esses que não conhecem Arte?” Porque a maioria de nós tem sido censurada por portar imagens artísticas.
O problema não é o censor conhecer Arte ou não. O problema é haver censura em uma rede social, que atua em um país onde a Lei não permite censura.
Nesta geleia geral, há quem concorde com a censura. Por isso ela existe.
Na minha página, não foi exercida explicitamente, nem fui suspensa e/ou ameaçada, como tantos. Simplesmente, antes - e durante o Dia da Livre Expressão do Nu, do qual participei -, e depois, sumiram imagens da minha página, como por exemplo, a Lady Godiva, de John Colier, 1897.
Há páginas de militantes latino-americanos e espanhóis que tiveram textos censurados. Isso quer dizer que há censores/leitores /humanos.
Em todo o mundo, há páginas denunciando a censura no Facebook. Há muitos processos contra o uso abusivo de nossos dados.
Sair da rede - como algumas pessoas sugerem - não é solução. Mark Zuckerberg utiliza nossos dados pessoais para publicidade, e nossos conteúdos para fazer seu negócio. Somos parceiros, portanto, do seu negócio, mas muitos de nós, em todo o mundo, recebemos em troca esse tratamento medieval.
A luta contra a censura, que sempre mobilizou as mentes mais esclarecidas ao longo da História, agora continua no mundo virtual. Sinal de que os tempos mudam, a tecnologia avança, mas...
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Elizabeth Lorenzotti (Poços de Caldas - MG) é jornalista e escritora.
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