ZUNÁI - Revista de poesia & debates

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LUÍS AMADO CARBALLO

 

 

 

NA OUTA NOITE
 

   O chío alongado do silenzo,
pérdese ao
longo das ruas molladas;
o
seu fío dourado, fura as tebras
e tende un
cabo morno ás añoranzas.
  
É a
hora do valeiro, a hora dos soños,
en
que na alma as verbas acochadas
dúrmense no
pombal do pensamento,
recollendo o
seu bico baixo as azas.
  
Unha emoción de mar nestes instantes,
meu corazón anoitecido orballa,
e relembro o agarimo dondo e
amargo
da tua
cabeleira com' unha alga.
   No ronsel do hourizonte, brila o
forno
onde tempran seu fío as alboradas,
y-engurruñase a
noite nun salayo
domente vai erguéndose a luzada.

 

NA ALTA NOITE
 

   O grito prolongado do silêncio
perde-se ao longo das ruas molhadas;
o
seu fio dourado fura as trevas
e estende um cabo frouxo às saudades.
   É a
hora do vazio, a hora dos sonhos,
em que na alma as palavras abrigadas
repousam no
pombal do pensamento,
recolhendo o
seu bico sob as asas.
   Uma
emoção de mar nestes instantes,
meu coração anoitecido orvalha,
e relembro o
carinho suave e amargo
da tua cabeleira como uma alga.
   No
rastro do horizonte brilha o forno
onde aquecem seu fio as alvoradas,
e se enruga a
noite num soluço
enquanto vai se erguendo a claridade.

in 'Proeiro', 1927 

  
*

Traduções: Fábio Aristimunho

 *


Luís Amado Carballo (1901-1927). Cursou Filosofia e Letras em Santiago de Compostela, mas não chegou a concluir os estudos. Dedicou-se ao jornalismo e à literatura, paralelamente a uma vida boêmia. Morreu aos 27 anos de idade, em Pontevedra, em conseqüência da tuberculose. De sua obra destacam-se os livros Proel (1927) e O galo (1928).

 

*

 

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